quinta-feira, 29 de julho de 2010

rabiscos coloridos

São poucas, são frágeis, são quase vazias às vezes... na verdade elas nunca dizem o que devem dizer, deturpam, confundem... até mesmo quando escrevo falando sobre elas, elas brincam de não significar... são estúpidas e cruéis ao mesmo tempo...

mas como é só disso que dispomos... que seja com elas então, que se tracem linhas, páginas se encham, idéias se proliferem e tenham suas bases assim, nelas... ou seja... seja qual for a idéia, a crença, a verdade... já estarão fadadas a não serem propriamente a idéia sentida e pensada, a crença, a verdade... por que o sentir ele é imenso, ele é cheio... e a gente é cheio dele... e ele sai pelos poros, pelos olhos, pelas mãos, pelo cheiro, pela voz e muitas vezes tenta se traduzir nas palavras... mais pobres que nós que as criamos...

eu ando por aqui... no mesmo lugar..ainda... essa angústia, essa espera se explicam por si só... esse presságio... que por essas coisas é que me pergunto o quanto estamos ligados... me pergunto, me pergunto... não vou sumir da sua frente outra vez... talvez você o faça, talvez você simplesmente desapareça... mas dessa vez tudo sempre ficará muito claro... muito falado, por mais que as palavras nos traiam, elas são a única coisa que temos que nos prova que somos dignos de sermos chamados de humanos...

e é por isso que você chega, aparece do nada, de repente, pra mexer... pra inquirir, pra desestabilizar, pra deixar a estrada mais clara... sei lá... não... eu não virei névoa... nem nunca serei névoa, sou de verdade agora... sinto meus pés no chão...e a chuva...sim...quando nos molha o corpo... sim, quando pára de repente... e a energia que nos encanta... a mesma que nos fez nos reencontrar depois de tudo, ou melhor, depois de uma parte... que parte é essa de agora??? também sinto ímpetos de falar-lhe, mas parecido com você não posso... outras razões me congelam... você ainda está incomunicável pra mim, você de uma certa forma também é névoa porque não posso atingi-lo quando assim o desejo... porque pertence a um mundo estrangeiro que não posso nem devo tocar, mas esperar que venha até mim e abrir as portas e dizer, ok, agora você tem alguns minutos... daí eu entro, sento, converso um pouco, tento compreender um pouco do que vejo, toco, cheiro e, plim... acabou o tempo... eu ainda estou aqui...mas de um jeito irônico passando pelas mesmas dificuldades que você... de decisões, de perguntas... e você diz... você sumiu de novo... foi somente um breve intervalo de duas horas, penosas devido à conexão ruim, devido às torres de telefonia não serem tão eficientes, devido à chuva talvez, a mesma que molhou você e deixou você feliz, que lavou você, levou pra longe uma parte de você que talvez você realmente não queira mais... e depois das duas horas... eis minha voz...outra vez atendendo seu chamado... que não atendera antes não por que não quisesse... fatores externos... sinônimos dos que me impedem também de falar-lhe quando tenho vontade...agora por exemplo... queria compartilhar esse crepúsculo, chuva, o friozinho da noite chegando, vasculhar bem direitinho tudo isso, desvendar...

bendita, maldita racionalidade... se bem que você compartilha logo... senão... acenava já o que sempre aparece... pra todo mundo, viciado no depois eu faço, depois eu digo... a racionalidade do dia-a-dia... minando, apodrecendo o que há de melhor na vida... comandar a chuva, querer ela e depois não querer mais e ela obedecer você... os anos obedeceram ao nosso querer... não o que mais vai obedecer, aliás não sei nem qual é o querer de agora... ou melhor... não sei o que está por trás... só sei que agora mesmo meu querer quer estar perto e ouvir mais palavras de você...

4 comentários:

  1. e como diria o narrador de Street Fighter: PERFECT!

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  2. Muito bom Duve.
    Adoro ler-te. nao é fácil colocar no papel a velocidade dos nossos pensamentos, e é isso que eu sinto quendo estou lendo seus textos, é como a medida que seus pensamentos se formam, você encontra como colocá-los no papel, e isso falo por conhecimento próprio, nao é fácil. O mais comum é você se perder em meio as novas e abundantes idéias que lhe veem a mente o todo todo.
    Parabéns.
    Posso fazer um pedido? queria ver seu estilo em terceira pessoa, quero uma ficçao.
    bjo

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  3. Ainda estou sem palavras, me tomou o fôlego, fiquei sem respirar por alguns segundos... É profundo pra ser mais exato... Muito bom mesmo... E o “RISOS” quando será publicado?

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  4. lembrou uma frase de Clarice Lispector:
    "Enquanto houver perguntas e eu não obtiver respostas, continuarei escrevendo!”

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